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O Nome do Tango

Por Marcelo Fava · 30 SET 2026

Um homem esquece o nome de um tango. Parece uma coisa pequena. Só que, enquanto tenta recuperar essa lembrança, outras começam a voltar.

Em O Nome do Tango, José Rubens Chachá interpreta Lucho Cervan, um escritor argentino isolado em seu apartamento em Buenos Aires, em 1998, enquanto a demência avança. Ele procura o nome de uma canção que acredita poder devolver sua vontade de escrever. Quanto mais tenta organizar o que está desaparecendo, menos controle tem sobre aquilo que reaparece.

É também a estreia de Chachá como autor teatral, depois de cinquenta anos de carreira. A direção é da filha, Maíra Chasseraux. Na peça seguinte, “Dr. Carrasco e sua criada Matti”, os dois trocam de lugar: ele dirige, ela atua.

José Rubens Chachá em cena de O Nome do Tango, ao telefone no apartamento
O Nome do Tango — foto: Pablo Chasseraux

Com a lucidez, volta também a ditadura argentina, com suas prisões, sequestros e desaparecimentos, e a cumplicidade de Lucho com aquele passado. A memória deixa de ser apenas o que falta e passa a ser o que ele, talvez, preferisse não encontrar.

Assistindo à peça, fiquei pensando em como esse tipo de esquecimento raramente é acidente. Freud tinha um caso parecido: numa viagem, tentou citar o nome do pintor que fez os afrescos de Orvieto e só se lembrava de nomes errados, parecidos, nunca o certo. Investigando depois, percebeu que o nome verdadeiro estava enredado em uma notícia que preferia não ter ouvido, dias antes: a morte de um paciente. Com Lucho é o mesmo movimento — o tango some, mas o que volta com ele é bem mais pesado que uma canção.

No palco, Chachá mistura melancolia e deboche. A deterioração também produz humor, e o riso da plateia surge de situações que carregam uma certa crueldade. Os tangos de Piazzolla e Pugliese, tocados em vinil, acompanham esse movimento e acabam funcionando como uma espécie de fio para Lucho se agarrar.

“Voltar a discutir a ditadura, a falta de democracia e a violência de Estado é algo urgente. A nova geração precisa ouvir essa história e os mais velhos precisam repensar suas posições”, afirma Chachá.

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Ficha técnica

Dramaturgia: José Rubens Chachá
Direção: Maíra Chasseraux
Elenco: José Rubens Chachá

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