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Hereditária

Por Marcelo Fava · 23 FEV 2026
Hereditária

Você já pensou no peso do que corre no seu sangue? Em Hereditária, Moira Braga transforma essa pergunta em presença viva. A artista convive com a doença de Stargardt, que reduz sua visão central, mas no palco não há espaço para pena. O diagnóstico vira confronto, investigação e escolha.

A narrativa se inspira nas Moiras, deusas que fiavam e cortavam o destino. O traço contínuo do espetáculo ganha corpo no figurino de Vania Ms. Vee, com fios e cordas que tensionam a pele e tornam a herança algo físico. Moira segura essa linha como quem reivindica autoria sobre a própria história.

O espaço criado por Ricardo Siri é cru, pensado para ser sentido. A acessibilidade deixa de ser recurso lateral e vira linguagem central. A audiodescrição atravessa a cena em voz viva, enquanto a língua de sinais, com Isadora Medella e Luize Mendes Dias, dança, toca instrumentos e constrói a atmosfera junto. Não há isolamento. Há encontro.

A peça também revela a herança afetiva. A memória da avó, o pai que leu seus textos na graduação, a ausência do primeiro filho e a realização da maternidade se entrelaçam.

No fim, quando as lágrimas reais surgem, não existe mais distância. Fica a certeza: herança não é só genética. É a coragem de continuar gerando a própria vida.

Ficha técnica

Idealização, Dramaturgia e Atuação: Moira Braga · Direção, Dramaturgia e Canções: Pedro Sá Moraes
Elenco e Direção Musical: Isadora Medella · Elenco e Libras: Luize Mendes Dias · Direção de Movimento: Edu Impro
Cenografia: Ricardo Siri · Figurino: Vania Ms. Vee · Iluminação: Ana Luzia Molinari de Simoni
Sesc Pompeia, São Paulo

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