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Viva! Vida!

Por Marcelo Fava · 29 JUL 2026
Viva! Vida!

A imagem da Terra desce até o centro do palco. Silêncio. Nesse momento, um celular toca — alto, de dentro da bolsa de Regina Casé. Ela atende, ri, avisa que é o filho viajando. E segue a peça dali, sem pedir desculpas pela interrupção.

Esse foi meu primeiro encontro com Regina Casé como atriz. Conhecia a Regina dos domingos, dos programas de auditório e das entrevistas, mas nunca tinha acompanhado esse outro lado da trajetória dela. Também nunca assisti a Que Horas Ela Volta?, filme frequentemente associado à sua carreira no cinema. Sentei ali sem repertório de comparação. Em cena, ela percorre a história da Terra, da formação do planeta às questões do presente, aproximando ciência, saberes dos povos originários e reflexões sobre consumo e meio ambiente.

A montagem usa imagens, tecnologia e a própria relação com a plateia como parte da encenação. O celular, que poderia ser uma interrupção, é incorporado ao espetáculo desde o começo e passa a conviver com a atuação. Essa escolha também coloca em jogo uma contradição que a própria Regina já enfrentou — a crítica de que ela fala de floresta, mas mora na Zona Sul do Rio. A crítica, que surgiu fora do palco, encontra espaço dentro da obra. Nas notas de dramaturgia, uma frase resume essa ideia: somos todos parte do sistema que questionamos.

Depois da apresentação, ficou mais claro que essa proximidade com o público não nasceu ali. Ela vem de uma trajetória que passou pelo Esquenta!, programa em que Regina buscava uma televisão menos distante, baseada na troca. Talvez por isso um espetáculo que fala de bilhões de anos consiga olhar também para as contradições do presente.

Ficha técnica

Texto: Estevão Ciavatta Pantoja, com colaborações de Antônio Nobre, Fábio Scarano, Daniela Thomas e Regina Casé
Direção: Daniela Thomas e Estevão Ciavatta Pantoja
Elenco: Regina Casé

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