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O Céu Fora Daquela Janela

Por Marcelo Fava · 10 ABR 2026
O Céu Fora Daquela Janela

Na Inglaterra rural de 1759, o destino de uma jovem condenada à forca está nas mãos de doze mulheres de sua própria comunidade. Esse é o ponto de partida de “O Céu Fora Daquela Janela”, texto da dramaturga britânica Lucy Kirkwood que ganha sua primeira montagem profissional no Brasil. Dialogando como um contraponto direto ao clássico “Doze Homens e Uma Sentença”, a Bendita Trupe, com direção de Johana Albuquerque, leva ao Sesc Vila Mariana a história desse grupo confinado pelo Estado em uma sala árida. Elas formam um “júri de matronas” com uma única missão: inspecionar o corpo da ré, atestar se ela está grávida e, assim, decidir se ela vive ou morre.

A encenação impõe uma clausura física e tateável. O cenário de Simone Mina, marcado por tecidos translúcidos e inúmeros frascos de vidro, cria a atmosfera de um laboratório onde as intimidades daquelas mulheres são expostas a seco. A direção também foge da linguagem tradicional de época. A tradução assinada por Cacá Toledo mistura o vocabulário do século XVIII com gírias urbanas contemporâneas, aproximando a violência institucional do palco com a realidade atual.

Com uma trilha sonora executada ao vivo, que vai de passagens líricas a cantos de trabalho folclóricos, o espetáculo funciona como um inquérito em estado de ebulição. Mais do que investigar a veracidade de uma gravidez, a peça convida o espectador a observar os atritos, as alianças e as estratégias de um grupo de mulheres tentando garantir a própria subsistência — tudo sob a sombra da passagem histórica do cometa de Halley.

Ficha técnica

Companhia: Bendita Trupe · Direção: Johana Albuquerque · Tradução: Cacá Toledo · Cenografia: Simone Mina
Teatro Antunes Filho, Sesc Vila Mariana

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