O Último Azul
“A cor da liberdade”.
Em um futuro onde a maturidade é sentenciada ao isolamento pelo Estado, “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro, propõe a vitalidade como a forma mais silenciosa de resistência. A trama nos lança numa distopia amazônica onde o destino de Tereza parece traçado burocraticamente, até ser subvertido pelo místico rastro de um caracol azul, que dita a quebra da linearidade e guia a protagonista pra uma reinvenção sensorial, longe do fim que a burocracia tinha planejado pra ela.
Nessa fuga pelos rios, o encontro com Cadu atua como catalisador; é no olhar desse estranho que Tereza reaprende a não deixar ninguém bloquear seu caminho. A obra não ignora as contradições do mundo real e aborda com sutil ironia a “compra da liberdade”. A autonomia de Tereza depende do capital acumulado, mas o deleite que ela extrai dessa emancipação é algo que dinheiro nenhum mensura.
O clímax chega como um “romance” de cumplicidade absoluta ao lado de Roberta. É a união de duas mulheres que, livres das amarras sociais, decidem desenhar o próprio horizonte, longe do desfecho romântico de manual.
Com rigor estético e uma proporção de tela 4:3 que força o olhar pro essencial, Mascaro transforma o azul num sinal de urgência pra viver, não de tristeza.
Ficha técnica
Direção: Gabriel Mascaro