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Sobre

Marcelo Fava

Não sou de um lugar só. Sou de tudo que passei, aprendi e escolhi amar.

Cresci em São Borja, no interior gaúcho. Na infância, o CTG foi onde descobri que existia um palco. Dancei em invernadas, declamei poesia, competi como solista vocal. Detestava o tema dos poemas, mas foi ali que aprendi a me colocar diante de gente. Dicção, oratória, ensaios intermináveis. Fui campeão estadual de declamação e poesia, um detalhe que carrego baixinho, mas que diz muito sobre de onde vim.

Fui uma criança criativa. Desenhava, consertava coisas, montava e desmontava o que encontrava pela frente. Na adolescência veio a música, uma vertente que carrego até hoje, sempre de forma informal. Nunca virou ofício. Ficou solta, esperando outro momento. A arquitetura chegou depois e deu técnica a esse impulso. Boa parte dele, pelo menos.

Comecei o curso em Santiago, concluí em Florianópolis. Apesar da escassez cultural da época, me abracei ao que tinha: a Orquestra Sinfônica, o CIC, museus, filmes fora do circuito comercial. O pouco que cabia dentro das possibilidades. Foi um professor, que partiu cedo demais, quem me apresentou à cenografia teatral. Meu trabalho de conclusão foi uma sala de concertos para a Orquestra Sinfônica de Santa Catarina, escolha que dizia mais sobre o que eu conhecia do que sobre o que eu queria. O teatro ainda estava por vir.

Em 2013 escolhi São Paulo e construí minha história aqui. Fiz cenografia, figurino, direção de arte para cinema e publicidade, e acumulei uma formação extensa em audiovisual. A cidade não facilita nada, mas oferece tudo. A arquitetura sempre sustentou. A arte sempre justificou.

Estudei, fui atrás do conhecimento de base, mas o destino me colocou em outro lugar: arquitetura, interiores, comunicação visual, visualização 3D. Os textos vieram da vontade de me reencontrar com a arte. Depois de anos como plateia, comecei a escrever resenhas, análises, registros do que via em cena, em exposições, nas salas de cinema. Em três meses publiquei cerca de 40 textos. Ainda estou encontrando o caminho.

A M ARTE é sobre o olhar de quem foi. Teatro, cinema, música, exposições, literatura, viagens. Não é crítica, é resenha, é observação, é aquilo que coube no tempo disponível. São Paulo engole o dia, a rotina não perdoa, e mesmo assim a arte insiste em aparecer.

Se alguma coisa aqui fizer sentido pra você, fico feliz em ter essa companhia.