Uma vez por semana, o que eu vi

O que assisti, escrevi e vale a pena conferir — direto na sua caixa de entrada.

MIACENA — quando o palco é a próxima esquina

Por Divulgação · 10 AGO 2026
MIACENA26

De 11 a 22 de agosto, o centro histórico de São Paulo vira palco. É a terceira edição da MIACENA, a Mostra Internacional de Artes Cênicas em Espaços Não Convencionais e Alternativos, gratuita, com mais de 50 atividades em 19 espaços entre teatro, dança, circo, performance, ações formativas, feira, sarau e leitura. A abertura é com o grupo de breaking M.O.S. (Mantendo a Origem Sempre), às 19h30, no CCBB. A mostra nasceu em 2024, criação de André Acioli, hoje também curador do Teatro Vivo e do Teatro Porto, ao lado de Dani Angelotti, e cresce a cada edição: a primeira reuniu 90 artistas e 10 mil pessoas de público; a segunda já passava de 40 apresentações, com projetos vindos de Portugal, Argentina e França.

A programação passa por lugares como o CCBB, o Centro Cultural Fiesp, a Biblioteca Mário de Andrade, a Praça Roosevelt, a Praça Ramos de Azevedo, a Minhocão, o Mosteiro São Bento, a Capela dos Aflitos e o prédio da Prefeitura, entre outros pontos da cidade. “A programação deste ano foi concebida a partir da relação entre arte, cidade e patrimônio”, dizem André e Dani. “Mais do que apresentar espetáculos em espaços não convencionais, queremos que cada obra dialogue com a arquitetura, a memória e a dinâmica urbana de São Paulo, transformando a cidade em parte da narrativa artística.”

Perguntei a André sobre a leitura mais comum da mostra, a de que ela seria uma recusa ao palco italiano. Ele discorda.

“Não é que eu tenha recusando as peças pensadas para o palco italiano. Pelo contrário. Acho que todo espetáculo, hoje em dia, já pensa que ele possa ser adaptável. Porque hoje você faz no teatro X, amanhã no teatro Y, depois você viaja. A provocação entra, na verdade, em você passar a olhar não só os palcos convencionais, mas também possa fazer uma adaptação para acontecer especificamente em determinado lugar. Eu quero que aconteça dentro daquele hall, daquele elevador. Quero que aconteça dentro de um banheiro, no estacionamento, na rua, na fachada de um prédio.”

MIACENA
MIACENA — Foto: Jonatas Marques

Perguntado se levar espetáculo pra rua também é uma resposta ao medo da violência na cidade, André não fecha a questão num sim ou não.

“Sempre achei que a arte de uma certa maneira ressignifica tudo. A arte é uma cura. Então essa provocação de você colocar um espetáculo na rua não acaba sendo uma resposta ao medo da violência, mas seja uma maneira da gente contribuir para diminuir essa violência, porque onde você leva o pensamento, você traz a coerência das coisas, você traz vida pro lugar.”

Serviço

MIACENA — 3ª edição
11 a 22 de agosto de 2026
Centro histórico de São Paulo (Sé, Liberdade, Bexiga, Consolação, República, Santa Cecília e Bom Retiro) e outros pontos da cidade
Todas as atividades são gratuitas. Ingressos distribuídos 1h antes de cada apresentação, 2 por pessoa, sujeitos à capacidade do local
Programação completa: miacena.com — Instagram: @miacena_br
Idealização: André Acioli e Dani Angelotti

Essa é a segunda de três conversas com André Acioli. A primeira, sobre sua trajetória de ator a curador, e a terceira, sobre curadoria hoje, estão no site.

Compartilhar