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A Natureza das Coisas Invisíveis

Por Marcelo Fava · 15 JAN 2026
A Natureza das Coisas Invisíveis

Há filmes que gritam, e há filmes que rezam. “A Natureza das Coisas Invisíveis”, de Rafaela Camelo, é uma prece sussurrada. Sai do ambiente estéril de um hospital pra pulsação de um sítio em Goiás, onde o luto vira ciclo, tratado não só com medicina, mas com fé, com as rezadeiras, com o tempo da terra.

O coração do filme bate no peito das mulheres. Duas mães solo, exaustas mas nunca relapsas, tecem uma rede de amparo mútuo. É na coreografia silenciosa entre elas, e no detalhe do azul que tinge os cabelos de mãe, filha e avó, que aparece o fio da ancestralidade que as une.

Nesse refúgio, a infância floresce na sua verdade mais pura. A existência de uma criança trans é tratada como parte da natureza, sem grandes discursos nem didatismo. Só a leveza do ser, tão natural quanto as plantas que a avó rega.

Um filme de planos estáticos que movimentam por dentro. Cuidar do corpo, sugere Camelo, exige primeiro cuidar do afeto, uma inversão que ela filma sem pressa, como quem sabe que cura não tem hora marcada.

Ficha técnica

Direção: Rafaela Camelo

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