Madame Blavatsky – Amores Ocultos
Não planejei ir ao teatro naquela noite. Saí do trabalho e fui direto para o Teatro Estúdio, disposto a tentar a sorte na fila da esperança de uma sessão esgotada. Deu certo. Entrei, encontrei meu lugar na última fileira, encostado na grade que contorna a plateia, e antes mesmo de a peça começar Mel Lisboa já recebia o público pessoalmente. Um gesto simples, mas que já diminuía a distância entre palco e plateia.
A produção apresenta Madame Blavatsky – Amores Ocultos como uma “não-peça”. Durante uma hora, Mel alterna entre si e Helena Blavatsky, como se abrisse espaço para que a própria personagem conduzisse sua história. Outros espíritos surgem, interrompem o relato, discordam, desviam o caminho. A iluminação acompanha essas mudanças, objetos se movem pelo cenário e a dúvida entre representação e acontecimento passa a fazer parte da experiência. Em um dos momentos de humor, a própria atriz conta que conheceu Blavatsky durante a pandemia, depois de visitar um centro espírita.
Helena Blavatsky foi uma escritora russa, cofundadora da Sociedade Teosófica. Viajou por diferentes países, aproximou tradições orientais e ocidentais e construiu uma obra que desperta interesse até hoje, ao mesmo tempo em que alimentou acusações de fraude e charlatanismo ao longo da vida. Em cena, essa mulher toma a palavra para contar a própria história. Quando os aplausos terminaram, Mel Lisboa permaneceu diante do público.
Já fora da personagem, ela contou que interpretava Rita Lee quando a cantora morreu e que, mais tarde, alguém chamou sua atenção para uma coincidência: Blavatsky também havia morrido em um 8 de maio. Segundo o relato da atriz, Rita conhecia a história de Blavatsky, assistiu à versão online do espetáculo durante a pandemia e comentou isso com ela.
Ficha técnica
Dramaturgia: Claudia Barral | Direção: Marcio Macena | Elenco: Mel Lisboa
Teatro Estúdio, São Paulo