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Proibido para Menores de 18 Anos

Por Marcelo Fava · 20 AGO 2026

Felipe Hintze interpreta um homem que presencia um acidente de carro com vítima fatal e passa a investigar, de forma obsessiva, os limites entre violência, desejo e identidade. Proibido para Menores de 18 Anos parte desse acontecimento para tratar do que fazemos depois de olhar para a violência.

Hintze assina o texto com Nicolas Ahnert, que também dirige. É a primeira dramaturgia dos dois. A pesquisa por trás do texto remonta aos desenhos já violentos dos anos oitenta e noventa e passa pelas notícias sensacionalistas que vieram depois. Chega, por fim, ao algoritmo que hoje entrega cada vez mais do mesmo até a gente esquecer que consome.

O diferencial da peça, segundo Felipe, está na sedução da violência bem produzida, embalada como produto de prestígio. É o mesmo terreno de Fascínio pelo Abismo, quando Leonardo Netto falou da migração do jornal popular pro catálogo da Netflix. Personagens perigosos viram objeto de desejo, atração em vez de repulsa. O mesmo mecanismo aparece numa cidade que naturalizou o medo, do hábito de guardar o celular enquanto se caminha até a indiferença de quem passa direto por alguém em situação de rua.

Proibido para Menores de 18 Anos
Proibido para Menores de 18 Anos — foto: Caio Oviedo

A intenção é simples e difícil ao mesmo tempo. Que ninguém saia da plateia indiferente. Na nossa conversa depois do espetáculo, Felipe contou que recebe relatos de espectadores que saíram pensando nos vídeos que assistem antes de dormir e no lugar que esse conteúdo ocupa no cotidiano.

Entre esta peça e O Motociclista no Globo da Morte, que também resenhei, existe uma semelhança que não busquei, só encontrei. Duas montagens, na mesma temporada paulistana, chegando ao mesmo lugar sem combinar nada, uma pela investigação obsessiva de um homem sozinho, a outra pelo consumo coletivo de um relato. Não me reconheci nesse tipo de consumo. Ainda assim, terminei pensando no que escolhemos olhar e no quanto dessas escolhas ainda é nossa.

Ficha Técnica

Texto: Felipe Hintze e Nicolas Ahnert
Direção: Nicolas Ahnert
Elenco: Felipe Hintze
Teatro Estúdio, São Paulo · em cartaz até 24 de setembro de 2026

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